quarta-feira, 29 de junho de 2011

Arrumando as malas...

Pensei em deixar pra escrever esse texto amanhã, afinal a despedida de verdade não é hoje.. mas começar a arrumar as malas foi me trazendo uns sentimentos estranhos..
      É claro que em algum dia na vida a gente já ouviu dizer que só na ligua portuguesa existe uma palavra igual ou semelhante a palavra "saudade". Nenhuma outra lingua tem uma palavra que consiga expressar a beleza, a tristeza e a importância que essa palavra tem. Tudo bem que isso é um pouco de puxa saquismo da nossa lingua, mas fazer o que.. sou brasileira mesmo e mais, sou nordestina, então meu "saudade" ainda tem um som mais arretado que só o nordeste sabe dar.
      Acho que a saudade chegou hoje, ou melhor nessa ultima semana  de maneira mais intensa extamente por ser a útima semana. Já é quase um mês longe de casa, quase um mês sem ver nem ouvir as pessoas de sempre, sem fazer o de sempre, além do que com a chegada da hora de voltar vem junto a hora de ir e deixar. Deixar o meu novo quarto super já com a minha cara de tão bagunçado que eu consegui deixá-lo, deixar as pessoas e os novos laços construidos aqui, deixar essa realidade de saúde diferente.. enfim.. a saudade chega de todos os jeitos , com todas os outros sentimentos agarrados, com todas as cores que ela pode ter. Das claras até as escuras, fazendo lembrar das tristezas e alegrias vividas aqui e lá.
     Todos esses dias aqui me fizeram custurar na velha colcha de retalhos (a que eu tanto falo o tempo todo.. rs) um novo pedacinho de pano. E cada nova roupa, novo panfleto, novo aprendizado, novo amigo que eu coloco na mala de volta da uma textura diferente a um pedaço dessa colcha.
        No mais... a mala ainda não esta pronta! Até!

Xêru, agora mais perto do que os outros!


"Saudade enorme da minha terra, do meu povo, da minha gente
Saudade do cheiro de casa, do cheiro da maresia, do cheiro da rede, do quarto, do travesseiro, de você...
Saudade da comida esquentando no fogo, dela posta na mesa e da voz estrondosa e macia chamando.. "vem comer"
Saudade dos finais de semana regados a vinho na beira da churrasqueira
Saudade dos sambas, do cinemas, dos cafés, acarajés, temakis e afins
Saudade de vocês todos e de vocês comigo.
Por que sem vocês eu sou pequena e com vocês eu sou mais, muito mais!"

Sensações...

Hoje o dia foi um máximo! mas começar o texto assim já tem sido rotineiro, né?
Há um dia de ir embora novos aprendizados surgiram e reencontros também. Quando sentei pra escrever esse texto de hoje não sabia qual poderia ser o título, afinal coisas diferentes aconteceram, em lugares diferentes.. Mas ai que com a ajuda de uma amiga bem especial veio o nome! Sensações!

          A manhã hoje foi bem tranquila de atividades. A gente começou  a montar o cenário do arraiá dos serviços de saúde mental daqui que vai ser semana q vem. Ao mesmo tempo várias pessoas de vários serviços que eu já tinha visistado estavam juntas numa reunião de supervisão no mesmo lugar e ai que as despedidas começaram! Tão bom rever todos e dividir com eles o quão foi bom pra mim o periodo que eu passei aqui. Ao mesmo tempo que foi muito bom ouvir que em um mês eu já vou conseguir deixar saudade e receber propostas de vir morar e trabalhar em Bh! rs (mas não adianta não.. Bh só pra férias e rever amigos. O trabalho vai ficar pela Bahia mesmo que ainda precisa de muita gente pra ajudar a construir saúde).
           No fim da manhã antes de ir pra atividade de tarde no Centro de Convivência do Barreiro encontrei seu Damião - o porteiro lá do CERSAM -  que ficou de me dar umas empadinhas que ele mesmo faz pra levar p Bahia!  ( :D )
           Fui pro Centro de Convivência de tarde junto com mais 5 usuários que também estavam indo pra lá e hoje era eu que estava perdidinha na cidade sem fazer idéia de pra que lado ficava o lugar que eu ia. A gente desceu p pegar o ônibus de galera! eu e os outros 5 "doidos"! (rs) Até informação no ponto de ônibus pra uma senhora rolou. Hoje eu e os "doidinhos" literalmente atravessamos a cidade... e como isso foi legal! Todos muito preocupados comigo, onde eu iria almoçar, qual ônibus eu iria pegar, qual era o melhor caminho p eu fazer...  No fim das contas acabei almoçando com "o homem dos relógios". Ele com sua aparência caricatural com 3 relogios nos braços, 4 colares no pescoço, uma boina quadriculada na cabeça, uma jaqueta jeans e uma calça denunciando que ele era cruzeirense doente! rs
          A gente foi almoçar no restaurante popular do Barreiro. Experiência única! O almoço a R$2,00 e um prato muito bem servido. Fui numa idéia de aventura mesmo e chegando lá me deparei com familias inteiras almoçando, trabalhadores de lojas dos arredores, policiais, seguranças, homens de terno e mulheres de salto. E a comida era boa! salada cozida e salada crua, além de sobremesa pra acompanhar. Fiquei com vontade de conhecer outros restaurantes populares, principalmente em Salvador. Me permitir um dia comer em algum na minha cidade...
          Depois que a gente acabou de comer "o homem dos relógios" me explicou como chegar no Centro de Convivência sozinha por que agora a tarde ele ia trablhar. Cheguei relativamente rápido ao Centro e a tarde participei do que eles chamam de oficina de comunicação! aliais.. melhor.. fui entrevistada pela Radio Conviver! Uma experiência fenomenal! rs
         Todas as quartas feiras nessa oficina de comunicação a galera defini as pautas da radio, cada um escreve sua materia e depois eles gravam o programa e o publicam numa webradio na net. Tudo foi muito massa, desde a galera produzindo com suas palavras e ideias as materias, até eles fazendo o programa todos empolgados e depois a gente comentando de como tinha sido a oficina hoje. No final quando perguntei como eles se sentiam ali naquele espaço saiu umas frases bem legais.. e que sintetizam a minha sensação naquele espaço também... "...familia", "a gente participa", "estimula o pensamento da gente", é saúde!", "eu descobri aqui que eu posso cuidar de mim"..

Enfim.. como disse no inicio o dia foi maravilhoso! E com tantos sentimentos diferentes que apareceram hoje pra mim acho até q esse ficou o mais confuso de todos! rs  mas tudo bem..fica agora só faltando o link da rádio.  Mas já estou providenciando aqui pra colocar no blog e divulgar!

E agora que já ta chegando no finalzinho.. beijo na bunda e até segunda literalmente! rsrsrs

terça-feira, 28 de junho de 2011

Freud ou Yung?

Aqui em Bh uma das coisas que eu descobri foi a minha total ignorância sobre a psicanalise, a teoria yungana e a diferença entre elas!
Nas várias conversas que rolaram aqui as teorias vêm se confrontando de inúmeras formas diferentes. Todas claro com sua parcialidade necessária, afinal de contas 80% da galera daqui é psicanalista! rs
Mas isso tem me feito questionar aminha ignorância e com isso me interessar por ler algumas coisas sobre...
Não sei se vai ser mais uma idéia inacabada minha, mas até agora o objetivo é voltar pro meu mundinho e começar a dar uma lida nisso tudo.. quem já souber alguma coisa e estiver afim de dividir será bem vindo! e pros que como eu  não sabem porra nenhuma e estiverem afim de compatilhar o novo também pode ser bom! rs

No mais.. a saudade já ta batendo...

Um xêru em todos!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Atrasadas...

Nessa semana de feriados até o blog deu uma paradinha..rs e por isso algumas coisas eu ainda n dividi aqui.
            Na terça feira eu tive uma experiência bem interessante com uma associação de usuários de saúde mental. A Suricato!
            Nascida já há alguns anos aqui em Bh ela surgiu a apartir de uma demanda que a rede e os usuários de saúde mental criaram. Depois que os pacientes saiam dos serviços de saúde como inseri-los novamente (ou pela primeira vez)  no mercado de trabalho?
            Inicialmente as coisas eram pequenas com uma ou outra oficina e como diz a Marta ( referência técnica da Suricato!) "pela primeira vez a gente esqueceu o principio da territorialização e colocou os usuários de fato para transitarem pela cidade" Isso porque como existiam uma ou duas oficinas na cidade toda o usuário que quisesse participar teria que se deslocar da sua casa até ela não importa se esta era perto ou longe de casa.
             Aos poucos as coisas foram tomando corpo, as oficinas crescendo, os produtos sendo construidos e a necessidade da especialização e do aperfeiçoamento do trabalho foi surgindo. E é ai q acontece uma coisa bem legal. Começam a acontecer cursos de profissionalização do trabalho! 
            Incrível como as coisas foram se formando a partir de uma demanda da rede e dos usuários e como o trabalho entrou nessa história reafirmando essa idéia de valor! valor do indivíduo e sua classe de trabalhador! E para os que lembraram da frase "o trabalho engrandece o homem" lembremos também que ela é ótima pra quem explora a força de trabalho de muitos e a vende como mercadoria... acho que essa experiência da suricato nos mostra uma outra forma de trabalhar. Lá o trabalho surgiu de forma coletiva e a produção solidária rege o dia dia. O valor do trabalho aqui se caracteriza pela dentenção de todo processo de produção da mercadoria, da venda, e do compratilhamento da renda final. além da valorização da capacidade de fazer!
            Hoje que a Suricato é maior os cursos são oferecidos por vários profissionais da cidade e também pelos usuários mais antigos da Suricato que já se tornaram multiplicadores. Como diz a Marta, "as parcerias são muito importantes". Não da pra fazer as coisas sozinho! Hoje a Suricato tem oficinas de culinária, marcenaria, mosaico e vende suas peças numa loja aqui mesmo em Bh. Durante a oficina de mosaico na terça de tarde eu com a ajuda dos meninos (claro!) comecei a construir uma peça que vai ser o slogan do  blog! e pra quem ta fazendo isso pela primeira vez até q tá ficando bonitinho! rs
            Enfim.. outra coisa massa que rolou na terça foi a primeira atividade do dia. Eu fui conhecer a proposta da nova marca da Suricato. pelo que deu pra entender (me corrijam meninos! rs) A Suricato entrou num projeto de uma empresa privada daqui da cidade que oferece um Curso de Marcas e Estratégia de marca e os alunos do curso tem que num periodo de um mês montar uma proposta de marca e uma estratégia pra ONG que esta envolvida nesse projeto. Pois bem, nesse dia a finalização do trabalho aconteceu com a exposição do produto do curso pros usuários da Suricato. Foi muito bom! Primeiro porque a dedicação que a galera do curso colocou pra montar tudo era visivel em cada parte da aprensentação, fora que em todo momento desde a criação do esboço da marca que aconteceu junto com os usuários da Suricato até a finalização do layout da apresentação a idéia da coletividade da Suricato estava presente.
            O mais legal, sem dúvida foi ver como isso vai fazer com que a Suricato cresça  em termos de mercado mesmo. E mais legal ainda foi ver os meninos da Suricato se quesitonando se a produção por conta desse crescimento teria que ser maior, se eles iriam dar conta, se isso n ia fazer com que eles mecanizassem o trabalho. Era tudo muito coerente e bonito de ver!
            No final quando fui conversar com o Hugo do curso de marca falei do meu blog e de que eu achava legal postar aqui um vídeo que eles montaram falando da construção do projeto dentro da Suricato. E claro que durante a conversa varias coisas legais sairam.. inclusive a parte de que " a Suricato contagia!" e contagia mesmo! A forma de trabalho, as possibilidades que ela apresenta pros usuários...
            A Marta chegou a me falar que nada disso nasceu e cresceu rápido. Demorou e tiveram varios percaussos, mas a Suricato continua caminhando. E na moral o que eu acho mais interessante nisso tudo é que pra gente da saúde isso pode significar muito. Quantas vezes a gente pensou em organizar uma cooperativa com os moradosres de uma região e não sabia nem por onde começar? Acho que a Suricato pode ser uma experiência muito massa nesse sentido. E de novo como disse a Marta " na graduação a gente não aprende a montar coletivos. Mas a gente tem que se jogar e aprender a fazer essas coisas novas". E uma ajudinha dos amigos que já tem a manha é ótimo nessas horas! rs
Enfim... com certeza é mais um texto que podia estar no "Fugindo das receitas de bolo.. experiências interessantes!"

xêru em todos!

ps: quando eu conseguir o video eu posto aqui!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Apesar da dificuldade pra chegar no lugar, hoje valeu a pena!
        Minha visita foi a uma reunião dos monitores do projeto Arte da Saúde. É uma atividade realizada na atenção básica voltada pra criança e adolescente. Criada por uma psicologa há mais ou menos 18 anos começou com a construção de algumas oficinas de artesanato. Hoje já foi incorporado à politica de saúde de Bh e consegue costurar a rede de saúde da cidade. Isso de costurar a rede é meio confuso, né? mas são estratégias que a gente quando consegue desenvolver são interessantes pra não perder os usuários quando eles saem dos consultórios. Talvez esse texto de hoje estivesse melhor alocado na parte do blog "Fugindo das receitas de bolo... estratégias interessantes" por isso acho que vou terminar de falar do projeto lá.
          Na quarta feira eu vou participar de uma das oficinas. Tô ansiosa pra ver como vai ser...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

enfia os seus 11 anos de estudo no saco!!

Hoje eu passei pelo serviço de álcool e drogas, lugar que eu estava super na espectativa pra conhecer. A unidade de tratamento de álcool e outras drogas (CAPS AD ou CERSAM AD) foi a primeira que me fez olhar e me encantar pela saúde mental na Bahia.
        Trabalhar com a discussão de álcool e outras drogas é diferenciado pra mim. Já tinha percebido isso, mas hoje foi colocado de forma mais explicita a diferença do perfil de pacientes dos CERSAMs e dos CERSAM AD. Aqui os pacientes não são psicóticos ou neuróticos, quando existe a relação do uso de drogas com esses outros sintomas eles são tratados nos CERSAMs. Sempre achei que o que me facinava nesses pacientes era que eles desde a hora que entravam pela porta jogavam na minha cara que o problema deles não era só de ordem físiopatológica. Tinha que haver algo a mais e eu tinha que aprender a enxergar isso. Nos psicóticos se a gente quiser tem como fechar os olhos pra o outro lado do problema. Não que ele não exista, mas a ciência a todo momento reafirma a presença ou ausência de neurotransmissores, enzimas, receptores que estam em maior ou menor quantidade nestes pacientes, tentando sufocar todo a realidade que essas pessoas estão submetidas com suas "evidências científicas". Com o usuário de alcool ou outras drogas é como se ele gritasse pro profissional que existe alguma coisa na vida dele acontecendo e que o esta levando a esse tipo de comportamento.
        A discussão da loucutra pra mim sempre foi interessante porque a gente ta falando daquilo que a sociedade nega. Daquilo que por ela não entender ou não saber como conduzir ela exclui. Não é muito diferente dos marginais, das putas, dos pretos.. mas isso são outros quinhentos.
       Voltando pra hoje, participei de 2 oficinas uma com targetas (pedaços de papel) onde cada um escrevia um objetivo, beneficios ou dificuldades do tratamento e outra de filmes. Definitivamente essa galera tem muito o que falar! É claro que alguns mais inibidos do que outros, alguns com mais capacidade de elaboração, mas todas essas diferenças são super importantes de estarem no mesmo espaço. É como se esse convivio com o "diferente" aqui também fosse terapêutico. De uma certa forma o colega que sabe falar mais, ou é menos timido, ou estudou mais tempo, ou é mais bonito, no frigir dos ovos se assemelha a todos pelo fato de serem iguais na necessidade de tratamento. Ouvir do colega se mostra bem mais tranquilo do que ouvir do médico, ou do psicólogo, ou do enfermeiro ou do terapeuta ocupacional...
        Durante o dia conversei com lagumas pessoas, hoje mais profissionais do que pacientes e algumas duvidas surgiram... já a algum tempo eu tenho percebido como os profissionais de cada serviço diferem bastante em pensamentos e práticas. Dai que eu lembrei de ontem que foi um dia bem legal e na maior parte dele eu participei de reuniões e só não escrevi sobre porque ainda não consegui me organizar pra pensar e estruturar o que eu absorvi. E o engraçado é que na saúde a gente as vezes defini metas pra a estruturação de um serviço de qualidade num lugar: rede estruturada e profissionais trabalhando numa lógica diferenciada. Aqui em BH que a rede por mais problemas que ainda exista esta estruturada o perfil dos  profissionais grita aos olhos e principalmente quando a gente encontra algo que teoricamente não era pra encontrar. E eu estou falando de exemplos negativos.
           Talvez eu tenha vindo pra cá com uma expectativa muito grande e lidar com algumas decepções não tem sido fácil. É claro que é facil entender que não é porque se trabalha num serviço substitutivo que se pensa e age dferente, mas é no mínimo hipocrisia. Já tinha pensado nisso rodando pelos serviços aqui, mas hoje as coisas foram mais explicitas e se mostraram nos discursos. É claro que com um único contato com a pessoa não tem como definir se ela é bizarra ou não, mas pelo menos da pra suspeitar (rs) e saber que ela é médica da mais nos nervos ainda, ou não.. afinal estranho é quando é diferente, né? Enfim... nenhum lugar esta totalmente pronto e eu tenho certeza que tem muita gente boa que ta nesse meio pra transformar alguma coisa.
             No mais as coisas estão caminhando bem, tô aprendendo pacas varias coisas novas!

xêru em todos!

terça-feira, 14 de junho de 2011

"Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem."
(O bicho - Manuel Bandeira)


            Coloquei o poema de Bandeira porque ainda não assimilei o estado de coisificação a que as pessoas podem ser submetidas e se deixarem submeter. Hoje foi a atividade do 'cuidando da boca' la na Pedreira. Poucas pessoas participando de fato do evento, mas sem dúvida um passo interessante na construção do Consultório de Rua. No final da atividade fomos ainda fazer campo e conversar com alguns usuários. Dentre eles estava um jovem de 20 anos enrrolado em um cobertor no meio fio pedindo ajuda pra gente. Ele contou que estava com fome, sede, taquicardico, tossindo muito com catarro esverdeado e febre há alguns dias. Inicialmente a gente pensou em ligar pro SAMU, mas eles não receberam a nossa ligação como uma demanda urgente. Dai conversamos pra gente tentar leva-lo na emergência do hopital que fica logo na rua do lado onde nós estavamos. Apesar da insistente reclamação com relação a situação na qual ele se encontrava, quando nos dispomos a irmos junto com ele na emergência ele se recusou e disse q naquele momento dormiria um pouco e depois iria sozinho no hospital.
           Esse momento da parede, do ponto que o outro estabelece na relação de que "vc só vai até aqui" é curioso! Ainda mais naquela situação. Porque  a recusa do apoio naquele momento? Porque preferir dormir se ele mesmo se encomodou com a situação a ponto de nos abordar na rua enquanto estavamos passando? Será que todas as reclamações que ele fez, de fato ele as escutou enquanto falava? Será que elas o encomoda mesmo a ponto de faze-lo tomar qualquer atitude? Será q a transformação em bicho ou pior, em coisa já se deu a tal ponto de que ele não se importa mais? Poucas respostas... talvez nenhuma até agora. E eu quero começar a aprender a enxergar mais possibilidades de fazer porque os questionamentos sem apontamentos para uma direção de ação não valem.

xêru em todos!