Depois de um final de semana.. no mínimo engaçado.. (rs) acordo hoje num frio safado de BH com a garganta ruim e uma dor de cabeça chata. Mas enfim, acordei, tomei café e sai andando. Cheguei ao meu destino às 8:15 - CERSAM NO (Centro de Referência de Saúde Mental Noroeste. Ele fica ao lado do serviço que eu estava na semana passada.
Um parentese aqui é importante, algumas pessoas que estam lendo o blog me fizeram uma advertencia que acabei achando pertinente. A partir de agora vou me referir às pessoas por codinomes pra evitar qualquer tipo de exposição. E as fotos que forem publicadas na parte do blog "cheirando BH" vão ter sido consentida por cada um. enfim...
Já estava acostumada a ver o pátio grande do CERSAM com os usuários andando pra cima e pra baixo durante a semana passada, mas hoje quando de verdade eu entrei no serviço logo de cara tomei um susto. Era uma "desordem organizada!" "doido" pra tudo que é canto, andando de um lado pro outro em todos os lugares fora e dentro da unidade. Fiquei um pouco esperando na recepção a chegada da gerente e alguns dos usuários vieram conversar comigo. O primeiro foi o "moço que quer ir pra Salvador". Muito curioso pra saber quem eu era e o que eu estava fazendo ali me fez varias perguntas e respondeu muitas minhas também. Outros apareceram e comprimentaram, mas o "moço que queria ira pra salvador" chamou atenção. Depois que a gerente chegou e me apresentou à equipe e ao serviço aos poucos fui entendendo a desordem daquele lugar. O que inicialmente era um bando de "doido" por todos os cantos da unidade ia virando um bando de "doido" fazendo alguma coisa por todos os cantos da unidade. Uns estavam tomando banho de sol no pátio, outros conversando com o porteiro, outros cantando, outros lendo revista e ouvindo música. Cada um no seu quadrado!
A manhã foi bem tranquila, como era primeiro dia ainda estava tentando entender como funcionava o serviço. No meio da manhã participei de um oficina de Liag Gong que a Conceição fez com todo mundo no pátio. Era engraçado fazer as posições e ver os outros fazendo. Depois todo mundo acabou dançando "papa americano" porque os usuários queriam uma musica mais animada (rs).
Antes de sair p almoçar a Luzia me chamou pra ir com ela e uma paciente no Hospital das Clinica pra uma consulta de rotina com o cirugião porque ela tem um passado de cirurgia de estômago. Na descrição da paciente ela era uma mulher de meia idade que há 3 semanas estava "dando trabalho" na unidade porque tava muito arredia a qualquer abordagem do profissionais e desacreditada que naquele lugar alguem poderia ajudar ela. Antes de sair peguei algmas coisas sobre ela pra ler, mas nada muito diferente do que já tinham me dito. Pois, depois do almoço fui com a Luzia procurar a paciente pra irmos pro médico e dai que eu finalmente vi a "moça dos fones de ouvido". Branquinha, pequena, apresentando no máximo 35 anos apesar dos cabelos brancos e a primeira vista simpática. Fomos no carro e de fato ela não queria conversar muito. Não tirava os fones de ouvido e sempre dizia q naquela hora não queria conversar. Chegamos ao médico, fomos atendidas até rápido, mas a espera fez ela se comunicar um pouco, mas claro sem tirar os fones de ouvido.
Quando a gente já tava saindo do hospital ela disse q queria comprar um biscoito integral no mercado. Ai bateu o desespero. "como é que eu vou entrar no mercado com ela?" ´pois, só p eu tomar na minha cara ela atravessou a rua do meu lado, entrou no Extra e foi comigo até a seção dos biscoitos. Engraçado eram as nossas conversas - "olha pra isso, como é que eu tô de sandalia de dedo no supermercado?" - "ouxente, se Gisele Bundchen pode porque vc não pode?" - "mas ela ta no Rio de Janeiro, eu tô em Belo Horizonte". - "faz tanto tempo que eu não venho no mercado que eu nem sei mais como é que anda aqui dentro. Me ajuda?"
Enfim, seção de biscoitos encontrada e depois de 20min a gente conseguiu escolher qual queria. Ai veio meu novo desespero. A Luzia ligou pro motorista e ele tinha ido embora. "como é que a gente vai voltar de ônibus com ela?" - eu pensei. Pois, mais uma vez a "moça dos fones de ouvido" me ensinou que antes dos outros que não tem contato nenhum com usuários da saúde mental demonstrarem preconceito eu teoricamente sensibilizada com o assunto posso me manifestar de forma muito preconceituosa. Pegamos o ônibus em frente a uma árvore gigante que tem na rua perto do hospital e a "moça dos fones de ouvido" foi a viagem toda sentada na janela, ouvindo seu programinha de rádio. Voltamos, e já na rua do CERSAM ela se afastou um pouco da gente, caminhando mais rapido e na nossa frente. Já na unidade, ela continuou com seus fones de ouvido no cantinho do pátio, a Luzia foi resolver os problemas da enfermagem e eu fui atender uma paciente. O dia acabou por volta das 17h e eu com a minha cabeça latejando e a garganta doendo voltei pra casa. No caminho a lua cheia feito prata chamou atenção porque brilhava num azul limpo. Cheguei e só consegui entrar debaixo da coberta e dormir. Acordei a pouco pra comer e escrever um pouco.
xêru em todos!
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