Hoje eu passei pelo serviço de álcool e drogas, lugar que eu estava super na espectativa pra conhecer. A unidade de tratamento de álcool e outras drogas (CAPS AD ou CERSAM AD) foi a primeira que me fez olhar e me encantar pela saúde mental na Bahia.
Trabalhar com a discussão de álcool e outras drogas é diferenciado pra mim. Já tinha percebido isso, mas hoje foi colocado de forma mais explicita a diferença do perfil de pacientes dos CERSAMs e dos CERSAM AD. Aqui os pacientes não são psicóticos ou neuróticos, quando existe a relação do uso de drogas com esses outros sintomas eles são tratados nos CERSAMs. Sempre achei que o que me facinava nesses pacientes era que eles desde a hora que entravam pela porta jogavam na minha cara que o problema deles não era só de ordem físiopatológica. Tinha que haver algo a mais e eu tinha que aprender a enxergar isso. Nos psicóticos se a gente quiser tem como fechar os olhos pra o outro lado do problema. Não que ele não exista, mas a ciência a todo momento reafirma a presença ou ausência de neurotransmissores, enzimas, receptores que estam em maior ou menor quantidade nestes pacientes, tentando sufocar todo a realidade que essas pessoas estão submetidas com suas "evidências científicas". Com o usuário de alcool ou outras drogas é como se ele gritasse pro profissional que existe alguma coisa na vida dele acontecendo e que o esta levando a esse tipo de comportamento.
A discussão da loucutra pra mim sempre foi interessante porque a gente ta falando daquilo que a sociedade nega. Daquilo que por ela não entender ou não saber como conduzir ela exclui. Não é muito diferente dos marginais, das putas, dos pretos.. mas isso são outros quinhentos.
Trabalhar com a discussão de álcool e outras drogas é diferenciado pra mim. Já tinha percebido isso, mas hoje foi colocado de forma mais explicita a diferença do perfil de pacientes dos CERSAMs e dos CERSAM AD. Aqui os pacientes não são psicóticos ou neuróticos, quando existe a relação do uso de drogas com esses outros sintomas eles são tratados nos CERSAMs. Sempre achei que o que me facinava nesses pacientes era que eles desde a hora que entravam pela porta jogavam na minha cara que o problema deles não era só de ordem físiopatológica. Tinha que haver algo a mais e eu tinha que aprender a enxergar isso. Nos psicóticos se a gente quiser tem como fechar os olhos pra o outro lado do problema. Não que ele não exista, mas a ciência a todo momento reafirma a presença ou ausência de neurotransmissores, enzimas, receptores que estam em maior ou menor quantidade nestes pacientes, tentando sufocar todo a realidade que essas pessoas estão submetidas com suas "evidências científicas". Com o usuário de alcool ou outras drogas é como se ele gritasse pro profissional que existe alguma coisa na vida dele acontecendo e que o esta levando a esse tipo de comportamento.
A discussão da loucutra pra mim sempre foi interessante porque a gente ta falando daquilo que a sociedade nega. Daquilo que por ela não entender ou não saber como conduzir ela exclui. Não é muito diferente dos marginais, das putas, dos pretos.. mas isso são outros quinhentos.
Voltando pra hoje, participei de 2 oficinas uma com targetas (pedaços de papel) onde cada um escrevia um objetivo, beneficios ou dificuldades do tratamento e outra de filmes. Definitivamente essa galera tem muito o que falar! É claro que alguns mais inibidos do que outros, alguns com mais capacidade de elaboração, mas todas essas diferenças são super importantes de estarem no mesmo espaço. É como se esse convivio com o "diferente" aqui também fosse terapêutico. De uma certa forma o colega que sabe falar mais, ou é menos timido, ou estudou mais tempo, ou é mais bonito, no frigir dos ovos se assemelha a todos pelo fato de serem iguais na necessidade de tratamento. Ouvir do colega se mostra bem mais tranquilo do que ouvir do médico, ou do psicólogo, ou do enfermeiro ou do terapeuta ocupacional...
Durante o dia conversei com lagumas pessoas, hoje mais profissionais do que pacientes e algumas duvidas surgiram... já a algum tempo eu tenho percebido como os profissionais de cada serviço diferem bastante em pensamentos e práticas. Dai que eu lembrei de ontem que foi um dia bem legal e na maior parte dele eu participei de reuniões e só não escrevi sobre porque ainda não consegui me organizar pra pensar e estruturar o que eu absorvi. E o engraçado é que na saúde a gente as vezes defini metas pra a estruturação de um serviço de qualidade num lugar: rede estruturada e profissionais trabalhando numa lógica diferenciada. Aqui em BH que a rede por mais problemas que ainda exista esta estruturada o perfil dos profissionais grita aos olhos e principalmente quando a gente encontra algo que teoricamente não era pra encontrar. E eu estou falando de exemplos negativos.
Talvez eu tenha vindo pra cá com uma expectativa muito grande e lidar com algumas decepções não tem sido fácil. É claro que é facil entender que não é porque se trabalha num serviço substitutivo que se pensa e age dferente, mas é no mínimo hipocrisia. Já tinha pensado nisso rodando pelos serviços aqui, mas hoje as coisas foram mais explicitas e se mostraram nos discursos. É claro que com um único contato com a pessoa não tem como definir se ela é bizarra ou não, mas pelo menos da pra suspeitar (rs) e saber que ela é médica da mais nos nervos ainda, ou não.. afinal estranho é quando é diferente, né? Enfim... nenhum lugar esta totalmente pronto e eu tenho certeza que tem muita gente boa que ta nesse meio pra transformar alguma coisa.
No mais as coisas estão caminhando bem, tô aprendendo pacas varias coisas novas!
No mais as coisas estão caminhando bem, tô aprendendo pacas varias coisas novas!
xêru em todos!
Acredito que isto que vc colocou, e eu também sinto em vários momentos, está ligado também ao moralismo da sociedade e muitos técnicos não conseguem deixar o moralismo em casa ao ir trabalhar, ou então acontece uma coisa, que pra mim é ainda pior, as pessoas "sentam" na teoria e se acham donos da verdade, mas o que não conseguem perceber é que a teoria deve sempre ser vinculada a prática.
ResponderExcluirPercebo ainda uma coisa pior, o tratamento clínico sempre se apresenta mais evidente do que o tratamento do ser humano que quer falar e ser ouvido, mas não dentro de um consultório que apresenta ao técnico como uma proteção de sua própria fragilização...