quinta-feira, 9 de junho de 2011

turbilhão...

Nunca mais eu digo que um dia foi difícil, a gente nunca sabe como vai ser  o outro. E se ontem foi punk hoje foi insportável!
        Vou me abster de escrever sobre a parte da manhã que sem dúvida foi ótima, mas a vivencia do turno da tarde foi indescritível. Hoje fui novamente fazer a atividade de consultório de rua como na terça feira, mas em outro lugar da cidade - na Av. Andradas. Diferente da atvidade na boca de fumo da Pedreira, na Andradas a gente lida com a população que de fato é moradora de rua. Foi incrível perceber que até chegar no lugar que os meninos ficam a minha ficha ainda nao tinha caido...
A gente começou a atividade em frente a rodoviária porque tinhamos que encontrar duas meninas que estavam fugidas e ameaçadas de morte por terem presenciado um crime e delatado quem o cometeu para a polícia. Depois de um tempo não a encontramos. No caminho indo para o lugar que o consultório costuma atuar na Av Andradas conversei bastante com o resto da equipe foi bom ir dividindo a pequena sensação de impotência frente aquela situação e conhecendo mais sobre as histórias das outras crianças. De repente ao chegar no lugar a equipe se espantou em ver que estava vazio, somente dois meninos estavam dormindo no meio fio e os outros não apareceram. Decidimos esperar um pouco já que durante  a tarde boa parte deles estão em grupo pedindo ou roubando nas ruas da cidade. Enquanto conversavamos mais Luciana apareceu. Sem dúvida o cheiro que exalava dela era mais forte do que qualquer outro q eu ja tivesse sentudo de perto, era como se aquela menna nunca tivesse tomado banho desde que nasceu. Luciana estava correndo e n podia conversar muito porque estava cuidando de carros na rua de cima. Aos poucos, durante a conversa parecia que o cheiro dela ia sumindo, mas de repente ele invadia de novo meu nariz dizendo que ele ainda estava ali presente. 
          Durante toda a tarde poucas pessoas chegaram e a nossa atividade foi reduzida. Pelo que a equipe falou a briga no lugar pelo ponto de droga e as sucessivas agressões que estam acontecendo ultimamente deve estar afastando as pessoas para outro  lugar. Fomos andar um pouco mais pra frente pra  ver se achavamos mais alguem, mas infelizmente não achamos nenhum morador de rua fedorento para abordar, só nos batiamos com pessoas bem arrumadas, cheirando a Calvin Klein ou Victor Hugo (no momento n conseguia diferenciar) fazendo cooper a mais ou menos 10 metros de onde essas crianças dormem e ao lado do Boulevard Shopping...  de repente tudo aquilo foi me causando nauseas todos os ipods presos no braço tocando musica internacional, todos os tenis da adidas e os conjuntos de corrida também da adidas, todo aquele cheiro de perfume importado e a visão do Boulevard Shooping. Só o que eu queria fazer era sair dali pra não sentir mais a Luciana com seu cheiro de sujeira, nem as pessoas com seus perfumes importados. Sabe aquele momento que você queria fechar os olhos e viver na bolha? mas a bolha não existe e o soco foi na boca do estômago quando percebi que eu também consigo passar pelas Lucianas de Salvador sem deixar que o meu perfume permita que eu sequer note a sua presença.
         Quase quando estavamos indo embora os dois meninos que estavam dormindo acordaram e mais 3 apareceram e vieram em nossa direção. Todos com um paninho enrrolado na mão ou uma garrafa com thinner para cheirar e cheiravam nas nossas frentes enquanto coonversavam sobre como eles gostam de jogar no computador ou mostrando o corte novo do cabelo.
           Sai daquele lugar sem saber ao certo o que pensar ou fazer em que lugar me colocar. Só tinha certeza de que eu não queria mais sentir o cheiro do perfume, nem da sujeira, nem o meu que já tinha se misturado nos dois. Hoje mais do que nunca  eu precisava voltar pra casa! E só p piorar a minha situação começou a chover muito e eu me molhei toda antes de chegar em casa, mas eu cheguei em casa! Troquei a roupa molhada por uma quente, comi pão e leite e tô aqui de frente pro notebook tentando diminuir e organizar as sensações. A noite ta fria, mas hoje eu queria muito uma cerveja e vocês perto de mim!

Um comentário:

  1. Ja fiz mto cooper ai onde vc foi...mas nunca com perfume Calvin Klein e conjuntos da adidas...e essa situação que voce descreveu vem de longa data!! os praticantes das atividades fisicas parecem q se acostumaram com a presença dos moradores e acham normal...e vice-versa! pior qdo algum morador tenta se suicidar pulando no Rio Arrudas..

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