Hoje o dia foi punkjones! acordei super tarde e cheguei atrasada na unidade. Barril!
Quando cheguei estava acontecendo uma reunião que aqui chama de reunião de supervisão. De tempos em tempos os profissionais de toda a rede de saúde mental se encontram, desde os funcionários dos centros de saúde até os da urgência psiquiátrica para discutir um caso "problema" trazido por algum serviço da rede. Nesse espaço existe também um profissional convidado que hoje era uma psicanalista que orientou a discussão do caso. Apesar de ter pego a atividade pela metade foi super interessante participar. Nunca tinha visto aquilo ali acontecer. No mesmo espaço várias pessoas diferentes, com conhecimentos diferentes tentando juntos tomar uma decisão sobre um caso clinico. É claro que esse espaço não é nada harmonioso o tempo todo, até porque é um espaço de exposição do trabalho do outro, de questionar condutas, apontar erros e modificar posturas, mas isso também é legal. Hoje, ao final da discussão a gerente do Centro de Saúde da Pedreira que levou o caso pra discussão fez uma fala bem interessante de reavaliar a forma como a equipe do centro de saúde estava conduzindo este caso e de forma humilde acatando as orientações definidas no espaço.
Depois rolou a reunião das microáreas ( Bh é dividido em 9 distritos sanitários e o distrito Noroeste - o que eu estou - se subdivide em 4 microáreas). Um espaço menor onde mais casos são apresentados e é discutido a condução e o referenciamento dos pacientes pela rede (é uma forma também de perceber se algum paciente esta se perdendo na rede de saúde ao ser encaminhado pelas unidades). Engraçado que cada um presta mais atenção e da maior importância ao que lhe parece mais interessante ou diferente. Hoje nesse espaço umas frases foram inusitadas para mim.. como quando alguem na roda comentando sobre uma paciente falou "Ela é violenta, porém é importante perceber que sua escrita é bem delicada e amorosa"... enfim...
Outra coisa interessante foi perceber como um serviço realmente precisa do outro e aprende com o outro, como quando, hoje varias informações sobre os pais de um paciente que estava sendo tratado no centro de referência só foram compartilhadas naquele espaço porque o centro de saúde acompanha a mãe, o pai e os irmão dele e sabiam de um contexto não explorado pelo centro de referência.
Enfim.. acabou o turno da manhã e a tarde ao que parecia seria bem tranquila. A equipe da tarde era diferente da de ontem, mas tudo foi bem legal. Acompanhei 2 atendimentos com a assistente social Ana Claudia. Dois casos muito distintos e que me causaram sensações e reflexões bem diferentes...
Vinicius.. 9 anos.. acompanhado hoje pelo pai e mãe vem sendo atendido no CERSAMi há 3 meses. Inicialmente com um quadro de agressividade, mau comportamento na escola e por conta disso exclusão desse menino por parte dessa mesma escola das atividades diárias. Ele vem hoje apresentando um quadro de melhora substancial! Era incrivel me perceber olhando e sorrindo pra cara daquele pequeno que me dizia o tempo todo que estava melhor, e que não eram só os outros que achavam, a forma como ele estava se vendo também era melhor. Lindo ver a percepção de melhora que ele tinha e mais lindo ainda ele contando da felicidade q estava sentindo pelo seu pai estar naquele espaço cuidando e se preocupando c ele.
Depois veio o Marciel.. 15 anos.. ele n estava na consulta a entrevista foi c D. Maria a mãe dele. Definitivamente.. que relação familiar era aquela! Fui me espantando e sendo sugada de energias a cada minuto, e como falei com Ana Paula depois "era um espanto com a situação e com a falta de espanto daquela mulher com a situação daquela familia". Estava clara uma banalização da situação que me encomodou de um jeito que me fez repensar algumas coisas, incluisive coisas do meu discurso. Foi muito bom perceber depois que minha expectativa higienista (talvez natural) estava me colocando em confronto com a forma com que aquela mãe escolheu pra lidar com a situação dentro de sua casa. Foi bom conversar com a Ana Paula no final e discutir objetivos da equipe pra aquele caso e chegar a uma conclusão de que o que deviamos fazer era um trabalho de redução de danos e não permanecer na tentativa de confronto com a mãe, a criança e os outros pela forma como eles levavam suas vidas.
Enfim.. muito massa o dia hoje!
xêru em todos!
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