Um pouco da Reforma Psiquiátrica


No Brasil, a história da Reforma Psiquiátrica começa no final da década de 70 com o MTSM (Movimento dos Trabalhadores de Saúde Mental), questionando e denunciando os maus tratos que os pacientes de saúde mental sofriam durante seus tratamentos. A nossa reforma teve muita influência da Reforma Psiquiátrica da Itália e de seu grande pensador Franco Basaglia que por vezes esteve no Brasil e ajudou pessoalmente na construção dos ideais da Reforma Psiquiátrica brasileira. Ao longo dos anos a Reforma Psiquiátrica brasileira foi se construindo não só em cima das denúncias de maus tratos e questionamentos de cidadania dos pacientes do serviço de saúde mental, mas também questionando o saber psiquiátrico e o conceito de loucura positivista de doença. Ela tinha por base a desinstitucionalização da loucura.
           Junto com os questionamentos a proposta da Reforma Psiquiátrica trouxe alternativas extra-hospitalares aos serviços de tratamento em saúde mental.  Surgem então os NAPS – núcleo de atenção psicossocial, os CAPS – centro de atenção psicossocial, residências terapêuticas, pronto atendimentos em saúde mental, leitos em hospitais gerais todos negando a lógica hospitalizante, biomédica e repressiva da psiquiatria. No entanto, hoje já é possível observar que a simples implementação desses dispositivos de atendimento sem avançar na discussão sobre os desafios vividos pelos profissionais do serviço na implementação das práticas antimanicomias é permitir que o manicômio se perdure na forma de agir e pensar de todos.
(Texto extraido da introdução do TCC - Reforma Psiquiátrica: A Proposta e o Conceito de Cuidado na Formação Médica - 2010)

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